Quando o algoritmo sabe mais do seu emocional do que você.

Como vícios de conteúdo ativam memórias profundas — e por que isso importa pra sua consciência.

Escrito por 🪄Dra. Elisa Maria para +Thai Orbit

E se aquilo inconsciente pra nós, está ao mesmo tempo escancarado?! 🤯

Ilustração de choque de consciência

“Como assim Elisa…”

Sabemos que nossas emoções são resultados da ação do sistema nervoso, das nossas glândulas e órgãos dos sentidos que liberam substâncias e impulsos elétricos. E que isso é para transformar informações em sensações e sentimentos, correto?! Lembra da química da felicidade e da neuroplasticidade na coluna “Será que meu ship ativou meu sistema nervoso?”? Lá comentei que neurônios e glândulas em nosso corpo liberam neurotransmissores e hormônios, respectivamente, além de quando assistimos todos os dias um BL ou GL, podemos acostumar nosso cérebro a fazer isso e virar um hábito. Sabe quando você escova os dentes todos os dias no mesmo horário, ou almoça, e quando você não cumpre o horário, parece que falta alguma coisa?!

Tudo isso pra explicar que essas sensações, sentimentos não foram simplesmente despertos na gente “do nada” e sim porque muitos estudos mostram a eficiência de se criar um hábito, um vício, uma emoção intensa pra que se queira mais daquilo! Você acha, seriamente, que os criadores dos apps de vídeos curtos foram inspirados pela luz divina (ironicamente falando) pra manifestar uma ferramenta pra compartilhar seus melhores momentos?! 🤡 

Ilustração da ironia da indústria BL e GL com os ForceBook

Pois é! Quase certeza que, com o avanço das redes sociais, elas viraram formas de manter nossa atenção, nosso tempo cada vez maior nelas e menos naquilo que possa importar pra gente! Dizem que nosso bem mais precioso é o tempo – e os criadores desses apps e redes sabem muito disso!

Assim, pode até parecer algo inconsciente o vício na sua cena preferida do ship favorito, ou o último vídeo curto do seu bias daquele grupo de T-Pop ou K-Pop. Mas não é nada inconsciente pra quem criou isso tudo! E talvez nem seja tão inconsciente assim pra gente também… 😶‍🌫️ Porque, no fundo, quando nos apegamos tanto a uma cena, a uma pessoa ou até a uma sensação boa que não quer mais largar… pode ser que algo mais profundo esteja operando dentro de nós — e não começou só com o algoritmo.

Existe uma teoria desenvolvida pelo psicólogo John Bowlby entre os anos 1950 e 1960 que explica muito daquilo a que nos apegamos desde que nascemos. Interessante que, independente de uma criação saudável ou não, nos aproximamos e criamos vínculos muito fortes desde bebês com os nossos cuidadores. E não precisa ser a “família tradicional”, até porque muitos vêm de famílias de mãe solo, criados por avós, ou casais homoafetivos, etc. Nós nos aproximamos instintivamente das pessoas que cuidam da gente em busca de sobreviver, proteção e alimentos, aquilo que é fundamental para nossa sobrevivência e existência como seres humanos. É a partir desses vínculos afetivos que a Teoria do Apego começa a se formar.

Ilustração com Mascotes da GMMTV

“E o que seria uma criação saudável Elisa?!”
O próprio Bowlby diz que, uma criança se desenvolve de forma saudável quando, além de receber afeto, segurança, proteção e alimento, ela pode se expressar e experimentar a vida em ambientes salubres (que tem proteção, limpeza e higiene, são organizados, por exemplo) sob o cuidado de pessoas responsáveis e que impõem limites saudáveis.

No oposto disso – e que, infelizmente, pode ser a realidade de muitas crianças – os ambientes e cuidadores, mesmo presentes, oferecem afeto e cuidados de forma insuficiente, instável ou ausente. Nesses casos, a criança se desenvolve de forma insalubre, ou seja, desorganizada, o que impacta na autoestima, percepção de segurança e autonomia.

Mesmo que tenhamos vivido traumas ou frustrações, se crescemos em ambientes com cuidadores mais responsáveis e afetuosos (ainda que com erros), tendemos a nos tornar adultos com mais consciência de limites, criatividade e do nosso lugar no mundo. Diferente daqueles de nós que crescemos em ambientes e com cuidadores mais desorganizados e cheios de repreensão sem carinho, ordens sem explicações… e se tornam adultos mais retraídos ou inseguros de seu lugar e importância no mundo! 😔

Essa teoria é uma das possibilidades de explicação pra que a gente entenda que os vícios, desde BLs e GLs até a entorpecentes, é algo mais profundo e inconsciente na maioria das vezes. Por isso, o autoconhecimento e a autoconsciência é muito importante para o ser humano hoje. Quando falamos em despertar de consciência, não é algo tão místico assim… É muito mais uma questão evolutiva humana, como seres pensantes e que podem refletir sobre questões existenciais como: quem sou eu?! qual meu propósito?! o que eu tenho facilidade em fazer e sinto prazer nisso?! quais são os meus limites pessoais, ou seja, quando eu digo não ao outro?!

Alívio emocional com um dos meus ships favoritos, NetJJ (@savemewrg no X)

São reflexões importantes e que, ao consumir muito tempo me distraindo com vídeos curtos, reclamando do ship ou da cena que não valorizou meu bias, entre muitas outras possibilidades, posso deixar de pensar sobre o que é importante para o adulto que me tornei ou serei um dia.

Fui fundo hoje, hein?! Mas às vezes é preciso dar um mergulho pra resgatar aquilo em nós que merece atenção, presença e um pouquinho mais de cuidado.✨ E você pode ser alguém cheio de afeto e carinho ao compartilhar essa coluna com seu/sua bestie agora! 💖

No próximo vamos explorar o lado do marketing emocional, que aproveita de nossas fragilidades, e que nós deixamos depois de ler essa coluna 🤭, pra tomar o tempo da gente! Não é algo pra eliminar de nossas vidas, somente um alerta pra que possamos equilibrar tudo o que a gente gosta com aquilo que a gente precisa fazer no dia a dia!

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📚 Referências  

Bowlby, J. (1969). Attachment and loss: Vol. 1. Attachment. New York: Basic Books.

Bowlby, J. (1988). A secure base: Parent-child attachment and healthy human development. Basic Books.ijoc.orghttps://globalfandomsurvey.org/reports

Uma resposta para “Quando o algoritmo sabe mais do seu emocional do que você.”.
  1. Avatar de E os meus sentimentos que me fazem comprar tudo do meu ship favorito! 😏 – +Thai Orbit

    […] você já leu a coluna “Será que meu ship ativou meu sistema nervoso?” ou “Quando o algoritmo sabe mais do seu emocional do que você”, sabe que eu adoro falar da química do sentir. Mas hoje quero ir um pouco além. Porque, sim, nós […]

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