Cadê o Amor?!

Como a falta ou o excesso do apego que chamamos amor pode machucar.

Escrito por 🪄Dra. Elisa Maria para +Thai Orbit

Hoje (escrevo dia 28/03/26) me veio à mente a música do Black Eyed Peas “Where is the Love?” e me pergunto como título da coluna: Cadê o amor?! E como eu tinha pensado em refletir sobre uma cena que assisti em #LoveLikeABikeEP2 pra esse mês, resolvi juntar os dois e pensar sobre o AMOR e o amor.

Tenho me questionado muito sobre histórias, principalmente aquelas que me conto muitas vezes pra desistir de algo ou pra me acalmar. Como “tudo bem você deixar para amanhã esta gravação pois você está cansada!” ou ainda “só mais um dia sem fazer aquela análise já que tem ainda uns dias de prazo pra finalizar.”

Com elas, tenho percebido o apego a me manter um tempo a mais na famosa zona de conforto que crio com essas histórias e não fazer, não entrar em ação para muitas coisas… Esse é um privilégio que conquistei, caso você acredite em vidas paralelas ou vidas passadas ou até mesmo, algo que consegui por ter feito algo de bom nessa minha vida mesmo!

Imagino, observo que muitos estejam assim também, mesmo com suas vidas corridas, cheia de trabalho, estudo, família, amigos, etc. E que parece não caber aqueles momentos de não fazer nada, descansar, se dedicar a um sonho ou aos cuidados com corpo-mente-emoções. Pra quê né?!

Aí que deixamos escapar o sentido de amar no quesito próprio – se eu não me cuido mesmo no simples ou no mais fácil, será que alguém fará isso por mim?!

No quesito amar ao próximo – será que as pessoas fora do meu círculo de família, amigos, fandom e que são muito diferentes de mim, até mesmo pessoas sem moral ou sem escrúpulos, merecem o meu amor?! Ou até serem amadas?!

Retornemos a cena de Love Like a Bike que comentei mas não expliquei: o Dr. Nabnueng ou Mhók Nabnueng (personagem de Masu Junyangdikul) administra uma roda de conversa com pessoas que trabalham na noite, como pessoas LGBTQIAPN+, mulheres que, por falta de oportunidades ou até aceitação, enfrentam condições desumanas naquilo que fazem pra receber o dinheiro que precisam pra sobreviver.

Com um cartaz que diz Love is Love (Amor é Amor), um psiquiatra se abre para ouvir queixas, histórias de uma profissão que não tem seus mínimos direitos trabalhistas pra cobrir cuidados de saúde, proteção, aposentadoria, etc. como qualquer outro trabalhador.

É fácil amar os amigos, aquelas pessoas que nos fazem bem… O desafio é amar o mais próximo que nos irrita, nos poda, nos faz pensar que eu, você não somos tão legais assim. E as pessoas que não tem essas outras presentes em suas vidas e passam por momentos de abuso, indiferença, não cuidado, se sentem presas após se libertarem daqueles que mais as machucavam… Cadê o Amor?!

O amor de um familiar que não aceita o filho, filha, parente pois ama alguém do mesmo sexo. O amor do parceiro que não deixa sua paixão usar essa ou aquela roupa. O amor dos pais pelos filhos em excesso que não permite aos mesmos experimentarem a vida para que se frustrem com os nãos que recebem. O amor pelos artistas que admira mas não quer que o ship um dia termine ou se encontra com os amigos, além do seu par de trabalhos. Ainda aquele amor dos filhos que não aceitam que os pais são seres humanos comuns que erram e tem defeitos.

São muitas as histórias e muitos os tipos de apego, não de AMOR!

Se você não acreditar no que eu disser tudo bem, mas o AMOR PRA MIM te deixa livre, te deixa errar e aprender por si próprio. O AMOR é fraterno, cria irmandades e igualdade, onde todos são considerados iguais e com direitos e deveres, nos quais são respeitados em suas individualidades. Vivemos sim em sociedade e não somos ilhas, como dizem, pois os oceanos nos unem e todos habitamos uma Terra. Mas quando eu chamo de amor um sentimento de posse, de repulsa e não de acolhimento e compaixão, isso pode machucar.

Sabe aquela frase: não faça ao outro o que não deseja que façam a você? AMAR é isso!

Então, que as pessoas que trabalhem a noite tenham direitos e deveres, aos que trabalham de dia também. Aqueles que estão presos em suas mentes, em suas emoções ou mesmo em prisões, se abram para aprender que podemos mudar, nos transformar.

Já tive muitos sonhos que viraram realidade e acredito que você também… Então por que não sonharmos com um mundo em que não se precise mais perguntar: Cadê o Amor?!

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