E isso não deveria ser culpa de ninguém!
Escrito por 🪄Dra. Elisa Maria para +Thai Orbit
Começamos com uma cena de “Love in the Moonlight” (Produção One 31, 2025) na qual o Príncipe Saenkaew conversa com Pin…
Nela podemos entender alguns pontos: Pin se diz encrenqueira pois é confusão apenas por ser ela (segundo sua madrasta); não se encaixa nem como aristocrata ou uma dama por ser filha da cozinheira; ela os envergonha. Logo na sequência, Saenkaew diz que “ser quem se é já causa problemas a alguém”…
Meu coração chora pois imagina uma criança que cresce e escuta daqueles que supostamente a deveriam amar, acolher, cuidar, dar suporte e segurança que você incomoda, causa problemas, não cumpre o papel esperado… Quando na verdade são os adultos que se vêem confrontados com espelhos que gritam onde eles precisam se transformar, aceitar, se acolher, cuidar, e tomam consciência do trabalho que isso dá.
Já ouviu a frase que para cuidar de uma criança, de uma nova vida precisa-se de uma vila?! Provavelmente é por isso, já que os responsáveis cuidadores também precisam de atenção e cuidado!
E é interessante notar como essa necessidade de cuidado aparece também em outras narrativas asiáticas. Na série japonesa “25 Ji, Akasaka de 2” (Produção TV Tokio, 2025) temos o seguinte trecho para somar a reflexão…
Nesse diálogo, que deixo sem spoiler se é um ensaio ou real para os personagens, vemos pessoas que fazem escolhas para que os outros – fãs, equipe, produções, futuros trabalhos, publicidades – não tenham que lidar com decisões pessoais como com quem eu desejo manter relações afetivas. Será que devemos entregar nosso direito de ser felizes à aprovação dos outros — apenas porque a indústria de idols e celebridades dita moldes de sucesso que aprisionam em vez de libertar? Quantas vezes nos tornamos prisioneiros das crenças que o mundo nos impôs, apenas para continuar girando a roda do comodismo e do status quo?
Hoje em dia temos o conhecimento de como deve ser a vida de cada ser humano no planeta: digna, com direitos e deveres, com alimentação e segurança física, emocional, mental e até espiritual. Mas para implementar isso na prática, é preciso uma desconstrução profunda de todas as nossas crenças, desde coletivas a individuais, assim como de mudanças na política, educação, saúde nos países para que TODOS tenham seus direitos e deveres dignos de uma experiência saudável no planeta.
Uma última cena de “Love in the Moonlight”, agora com Sasin e Saenkaew abrindo o coração…
Vemos que ninguém é perfeito mas esta situação, na qual Saenkaew acha que é um defeito seu, nada mais é que um desejo que precisa reprimir diante de uma sociedade, família, mundo repressor. Quando suas paixões e sentimentos são deixados de lado pro “bem, comodismo, ego, status quo…” do seu pai pois – Como os outros verão isso sobre mim?! É um absurdo que a castração emocional do outro recaia sobre mim, sobre você — ou sobre o próprio pai de Saenkaew.
Onde como humanidade erramos pra impor sobre um o peso de milhares de crenças limitantes e controladoras?!
Mas como o Príncipe recebe o apoio de Sasin, de que pode contar com ele – seu futuro interesse amoroso, parceiro (assim desejamos!) – encontramos pela vida irmãos, irmãs de alma… Podem ser familiares, pessoas totalmente estranhas, até artistas de outros países que, de certa forma, nos salvam de nós mesmos com acolhimento, palavras, silêncios, músicas, séries, símbolos!
Vemos que o amor esteve ali o tempo todo, só não tínhamos olhos e ouvidos de ver e ouvir realmente até o momento que nossa alma diz – agora vai! Acredito que temos nossos aprendizados e que alguns levam seu tempo de maturação… Assim como nosso crescimento como seres humanos, desde biológico ao cognitivo, passando por aquilo que acreditamos ou não além de nós – Deus, Universo, Fonte Criadora, Natureza. Assim, nos tornamos adultos e como crianças emocionalmente comandando nossa vida.
Isso é a realidade de muitos – só que alguns acordam e outros não! Grande parte não tem tempo pra isso pois a vida chama, os filhos, o trabalho, as responsabilidades… Claro que podemos viver tudo isso com consciência – mas precisamos de tempo de dedicação a quem nós somos e descobrimos fora de tudo aquilo que gostaríamos que fôssemos!

Essas histórias me fazem refletir e me emocionam. Mesmo que eu nunca tenha vivido a experiência de precisar me posicionar sobre com quem me relaciono romanticamente – e que isso nunca deveria ser algo a ser retirado de armários fictícios – eu escolhi me libertar daquilo que me disseram que eu era, projeções de pai e mãe, irmãos, familiares, amigos, sociedade, o mundo às vezes – tamanha carga e peso de ser quem você não é!!!
Enquanto os pais e as mães, cuidadores (e suas diferentes configurações) das crianças que nascem hoje não ensinarem os seus que podem experimentar, descobrir, ter carinho, educação e desenvolvimento saudáveis, cada adulto terá a responsabilidade de se desconstruir para que não exista mais essa dor… A dor de não se sentir pertencente, acolhido, seguro e livre pra ser quem se é e florescer humanamente!
Ninguém é culpado pela dor que sentimos e sim, em casos extremos, pode ser responsável. O outro nos revela aquilo que ainda se encontra na sombra em nós mesmos, como aquilo que irrita, incomoda, traz medo, inseguranças… Mas como adultos, com ajuda profissional e de amigos reais, se pode tratar e despertar a consciência de nossa essência de luz, imagem e semelhança da Natureza, Deusa/Deus, do Universo, da Fonte Criadora! Você escolhe?!
P.S. Deixo uma mensagem do oráculo de Isis que tirei pra mim no dia em que escrevi esse texto e pode trazer maior conexão e conhecimento em nossa jornada individual:
“É útil no caminho do autoconhecimento deixar ir e se desapegar repetidas vezes. Mesmo que se sinta mal, ainda assim, precisamos permanecer fiéis ao nosso coração e não desistir do que sentimos que estamos aqui para fazer. Seja buscando a iluminação, voltando-se para dentro ou encontrando a paz interior, algo criativo ou cura pessoal, o triunfo da Deusa Isis está com você agora, incitando-o a não desistir!
Não importa quão distante ou impossível o sucesso possa parecer. Não desista! Persista até que o impossível aconteça! Isto é o poder do amor, da genuína vontade interior… E não da força ou dominação, mas aquele poder interno que nos impulsiona a continuar com nossas práticas de autocuidado, a fazer o que precisamos no mundo físico para nos trazer à luz. O amor está crescendo dentro de você agora. Ele sustenta para que você encontre aquilo que faz sentido para você, a escalada da sua montanha que está dentro do próprio coração, não aquela escolhida para você pelo outro – mas a jornada que genuinamente está dentro de cada si mesmo.”







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