Woodstock, Centro Espírita, Ayahuasca, Shine e Minhas Emoções
Escrito por 🪄Dra. Elisa Maria para +Thai Orbit
Confesso que me vi hipnotizada pelo episódio 2 de Shine – e o motivo não foi a construção histórica da série. Foi o casal secundário: um militar de alta patente e um jornalista “boca de sacola” (no melhor sentido possível). As OSTs então grudaram na minha alma: “I think I love you…” me distraindo da autoexigência, “On the far side of the moon…” ecoando enquanto eu chorava sobre esse texto, tentando entender por que me sentia tão dividida entre a necessidade de autenticidade e o uso da IA.
E então percebi: Woodstock não foi só lama e LSD, foi o grito de uma geração que, como eu no centro espírita décadas depois, buscava respostas para perguntas que queimavam dentro de mim. A Conferência de Filósofos Leste-Oeste de 1969 tentava salvar o Ocidente com budismo e hinduísmo. Eu faria minha versão dessa busca: primeiro no centro espírita, onde Allan Kardec me explicou sobre a vida após a morte (obrigada, novela A Viagem), depois nas cerimônias de ayahuasca, onde conceitos viraram visões – como as flores que vieram a mente, misturando realidade e imaginação, me mostraram que a alegria precisava voltar a minha rotina.
A ciência explica parte disso: o DMT da ayahuasca (Imperial College London, 2019) e o LSD de Woodstock mexem com os mesmos receptores. Mas há diferenças cruciais. Enquanto os hippies buscavam expansão no caos coletivo, minhas experiências foram ritualísticas – e me mostraram que revoluções internas exigem tanto liberações físicas (como vômito, diarréia, dor de cabeça, depende das resistências internas) quanto paciência para decifrar símbolos.
DMD (Dimetiltriptamina) é uma molécula psicodélica natural que, ao ativar receptores de serotonina no cérebro, desencadeia experiências transcendentais de curta duração, dissolução do ego e neuroplasticidade intensa (Palhano-Fontes et al., 2015).
O LSD (dietilamida do ácido lisérgico) é uma substância psicodélica sintética derivada de um fungo que altera profundamente a percepção, o pensamento e a consciência por até 12 horas (Dyck, 2005).
Em Shine, o cigarro (de tabaco a “verdinha”) anestesiava personagens diante das revoluções – como eu antes do centro espírita, quando minhas perguntas sem respostas geravam sofrimento e desconexão emocional. Os BLs tailandeses, por outro lado, mostram o que os hippies não conseguiram: integrar espiritualidade e identidade queer sem apropriação. Há beleza nisso – monges abençoando casais gays como parte natural da trama, não como exotismo.
A neurociência comprova (Johns Hopkins, 2021) que meditação e psicodélicos em contexto controlado diminuem o medo e aumentam a conexão. Talvez por isso pequenas revoluções – separar lixo como ritual, reduzir carne (a pecuária responde por 14% das emissões globais de gases do efeito estufa, diz o IPCC) – podem parecer mais naturais. Não são obrigações, podem ser extensões do que aprendi: autocuidado como primeiro ato político.
E sim, usar IA para escrever sobre autenticidade é paradoxal. Mas como aprendi ao longo de minhas experiências – e que pode fazer sentido por aí também – é que podem existir muitos respostas para as mesmas perguntas. Então aqui estou, em 2025, misturando referências científicas, experiências pessoais e séries tailandesas em um texto que é tanto manifesto quanto confissão – porque a revolução começa dentro, mesmo quando expressá-la dói.
E você? Que semente vai plantar hoje?
Aviso Importante: Minhas experiências com ayahuasca foram realizadas em contextos ritualísticos autorizados, em conformidade com a Resolução nº 1/2010 do CONAD (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas). É importante destacar que:
– O uso da ayahuasca por menores de 18 anos é proibido pelo Art. 2º da mesma resolução;
– Substâncias psicoativas (incluindo entorpecentes e estimulantes) exigem acompanhamento profissional qualificado;
– Este relato é pessoal e não constitui recomendação médica ou espiritual.
📚 Referências
Dos Santos, R.G., et al. (2016). “Effects of ayahuasca on mental health and quality of life in naïve users: A longitudinal study”. Psychopharmacology (Imperial College London)
Palhano-Fontes, F., et al. (2015). “The psychedelic state induced by ayahuasca modulates the activity and connectivity of the default mode network”. PLOS ONE
Nichols, D.E. (2016). “Psychedelics”. Pharmacological Reviews
Dyck, E. (2005). “‘Hitting highs at rock bottom’: LSD treatment for alcoholism, 1950–1970”. Social History of Medicine
Carhart-Harris, R.L., et al. (2021). “Psychedelics and the essential importance of context”. Journal of Psychopharmacology (Johns Hopkins)
IPCC (2019). “Climate Change and Land: an IPCC special report”. Capítulo 5: Food Security.








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