Como relações parassociais e estilos de apego moldam o jeito que nos envolvemos com ídolos – e conosco mesmos.
Escrito por 🪄Dra. Elisa Maria para +Thai Orbit
Será que, em algum momento, as pessoas que perseguem artistas pararam pra se observar? 🤔 Talvez, se tirassem alguns segundos pra imaginar um mar de gente vindo ao seu encontro, sentiriam o que aquele idol — sem segurança e/ou num momento privado — pode ter sentido?!
Vendo os protas de Revenged Love em um momento único de sucesso e, ao mesmo tempo, enfrentando o assédio de muitos fãs em aeroportos, perseguidos até em casa — como no caso do ator Ziyu —, a sensação que fica é de que algo saiu do controle. Tian, além disso, foi atacado nas redes sociais para que desmentisse um suposto rumor sobre ter um relacionamento e um filho. Ainda foi cercado por fãs num voo ✈️ e, de certa forma, teve seu espaço mais íntimo invadido.


E como se não bastasse, esta semana um vídeo de bastidores dos #ChalarmJames para um novo projeto provocou uma onda de comentários repulsivos e vergonhosos no X e no TikTok. Isso motivou uma nota pública de repúdio da fanbase brasileira (@ChalarmJames_Brasil no X) dos atores, exigindo o básico: respeito.

Interessante… algo que todo ser humano merece, mas que nem todos exercitam: o respeito ao próximo. Vindo de um lugar que chega até a me revoltar — e, ao mesmo tempo, me lembra de um ensinamento de Jesus sobre “amar ao próximo como a ti mesmo” —, não deixo de me perguntar sobre a saúde mental e emocional de muitas pessoas hoje em dia. 🧠💔 Não me excluo disso. Só espero que essa coluna seja uma forma de colocar pra fora emoções e reflexões, e que possa também conscientizar quem me lê.
Mas pra que a gente possa aprender de forma mais profunda com tudo isso (sadhu!) e quem sabe crescer como seres humanos, quero trazer dois conceitos fundamentais da psicologia para a conversa: a teoria do apego (mencionada em Quando o algoritmo sabe mais do seu emocional do que você.) e as conexões parassociais.
Esses dois conceitos ajudam a compreender por que algumas pessoas ultrapassam limites — inclusive os do outro — movidas por um vínculo que parece íntimo, mas é de mão única. Quando olhamos sob a lente da teoria do apego (Bowlby), entendemos que nossos padrões emocionais atuais foram moldados pelas relações que tivemos com nossos cuidadores na infância. Pessoas com estilo de apego ansioso, por exemplo, podem desenvolver laços parassociais mais intensos e emocionalmente dependentes com figuras públicas — especialmente quando se sentem solitárias, não vistas ou rejeitadas em sua vida cotidiana.
E é aí que entra a conexão parassocial: aquele laço unilateral que o fã cria com um artista, idol, ou personagem. Na era digital, com redes sociais encurtando distâncias e oferecendo (a ilusão de) intimidade, esses vínculos se aprofundam. Muitos fãs não apenas admiram seus idols — eles se sentem parte da vida deles. Comentam, torcem, defendem… e às vezes, ultrapassam todos os limites, esquecendo que há uma pessoa ali do outro lado da tela. Uma pessoa com medos, privacidade, vínculos reais, cansaços e traumas.

Por isso é importante entender o medo que muitas pessoas podem sentir ao perder aquele vínculo criado pelo artista. Antes mesmo de criticar ainda mais ou cancelar alguém, compreender que estamos falando de pessoas iguais a mim e a você! E indo um pouco mais profundo (e você não precisa acreditar em tudo que digo, sugiro pesquisar por conta própria também os assuntos que trago aqui! 😉), o que está no nosso lado sombrio, mais escondido e que nos causa tamanha irritação com fãs sem limites?! Será que em algum momento não nos sentimos invadidos ou perseguidos, sem privacidade e muito vulneráveis, com medo de algo acontecer a nossa segurança?!
Isso tudo para explicar que somos seres complexos, com bagagens individuais e que, ao longo da história, fomos empurrados a caber em padrões que apagavam ou ridicularizavam o que sentimos — só porque era diferente, sensível ou fora da norma imposta por famílias, religiões ou tradições.
Pra que esse texto desabafo possa terminar num tom mais Up que down, convido a você que leu tudo isso a respirar fundo! Vamos lá: inspira preenchendo todo o peito, até a barriga se conseguir. Depois solta o ar bem devagar! Faça isso umas 3 vezes ou mais se suas emoções vieram a tona como as minhas ao descrever a coluna #CulturaéComportamento de hoje! E voilà, você aprendeu uma técnica ancestral, fácil e de graça pra todo momento em que você – assim como eu – sentir que a emoção sobe com força e a vontade de comentar vem com tudo… Pare! Respire! E reflita se você gostaria de receber aquelas palavras carregadas emocionalmente (e nem preciso falar das energias, né?! 😬).
Se você leu até aqui, te agradeço de coração! Me sinto corajosa a ter um espaço no qual possa contribuir com mais conexão, consciência e respeito mesmo emocionada! E desejo que você construa também momentos assim: de segurança, de abertura e tranquilidade pra expor o que pensa e sente!
É na individualidade que conquistamos também as grandes mudanças sociais e de consciência que tanto queremos – olha o quanto você é importante!! Estou orgulhosa da gente!! 🫂✨
Lembra de enviar esse texto pra su@ bestie que adora comentar ou engaja demais nas redes sociais contando o que pensa! Para mais conteúdos que orbitam a Tailândia – @maisthaiorbit no IG e no X! E conteúdos sobre reflexão, conhecimentos e práticas integrativas, você pode me acompanhar no @integraaalma – todas as redes sociais (ou quase 😛)!
📚 Referências
Bowlby, J. (1969). Attachment and loss: Vol. 1. Attachment. New York: Basic Books.
Bowlby, J. (1988). A secure base: Parent-child attachment and healthy human development. Basic Books.ijoc.orghttps://globalfandomsurvey.org/reports
Chan, K. Y., & Lin, A. M. Y. (2024). From Fandom to Frenzy: Parasocial Attachments and Boundary Violation in Asian BL Entertainment. Journal of Popular Culture & Society, 32(1), 47–64.
Cohen, J. (2004). Parasocial break-up from favorite television characters: The role of attachment styles and relationship intensity. Journal of Social and Personal Relationships, 21(2), 187–202. https://doi.org/10.1177/0265407504041374
Giles, D. C. (2002). Parasocial interaction: A review of the literature and a model for future research. Media Psychology, 4(3), 279–305. https://doi.org/10.1207/S1532785XMEP0403_04
Liebers, N., & Schramm, H. (2019). Friends in books and on the screen: Parental media mediation and the development of parasocial relationships in adolescence. Journal of Broadcasting & Electronic Media, 63(4), 623–642. https://doi.org/10.1080/08838151.2019.1680072
Zhao, J., & Wang, L. (2023). Attachment Theory and Parasocial Bonds: Understanding Emotional Dependency in Media, Fandom, and Digital Intimacy. Journal of Digital Psychology, 14(2), 99–115.








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