Move Foward se reorganiza em novo partido após tribunal ordenar sua dissolução

Na última quarta-feira, 07, a imprensa tailandesa anunciou a decisão unânime de um tribunal para a dissolução do partido progressista Move Forward, sob a alegação de violação da constituição ao tentar emendar uma lei que protege a família real de difamações. De acordo com o fórum, a campanha do Move Forward é uma ameaça à monarquia constitucional da Tailândia.

A decisão gerou críticas não apenas por países ocidentais, mas também pela população tailandesa, que em maioria demonstrou apoio ao partido nas últimas eleições, com liderança nas pesquisas. Todavia, o mesmo não conseguiu formar um governo, pois o Senado, na época controlado por conservadores nomeados pelos militares, se recusou a apoiar seu candidato a primeiro-ministro. 

A Comissão Eleitoral apresentou a petição contra o Move Forward após o tribunal determinar em janeiro que o partido deveria cessar sua defesa por mudanças no Artigo 112, que prevê até 15 anos de prisão por ofensas à monarquia.

Apoiadores se reuniram na sede do Move Forward Party em Bangkok na quarta-feira, quando surgiram as notícias de que a Corte Constitucional da Tailândia havia ordenado a dissolução do partido progressista. Move Forward Party. (Chanakarn Laosarakham/AFP/Getty Images)
Proibição de 10 anos para líderes partidários

Na decisão da última quarta-feira, foi determinada uma proibição de 10 anos para a atuação política de líderes que ocupavam cargos executivos no partido enquanto promoviam a emenda proposta. Porém, como parlamentares de partidos dissolvidos podem manter seus cargos no parlamento desde que se filiem a outro partido dentro de 60 dias, novos rumos foram anunciados nesta sexta-feira, 09. 

Todos os 143 parlamentares ingressaram ao novo partido sob a liderança de Natthaphong Ruengpanyawut, de 37 anos, um ex-executivo de software em nuvem que esteve envolvido na estratégia inovadora de campanha digital que garantiu ao Move Forward um enorme apoio dos jovens e da população urbana. “Vamos continuar com a ideologia do Move Forward. A missão para mim e para o partido é criar um governo para mudança em 2027″, disse Natthaphong, referindo-se à próxima eleição.

O líder do People’s Party, Natthaphong Ruengpanyawut, e membros do partido posam para uma foto durante uma coletiva de imprensa, anunciando um novo partido político após a dissolução do partido de oposição Move Forward em Bangkok, Tailândia, em 9 de agosto de 2024. REUTERS/Chalinee Thirasupa
“O Establishment não vai parar”

Embora o tribunal tenha ordenado em janeiro que o Move Forward abandonasse sua campanha para alterar o artigo 112, como a lei de lesa-majestade é conhecida, Natthaphong disse que o novo partido irá revivê-la, mas com cautela.

A lei é uma das mais rigorosas do mundo em sua categoria. Centenas de pessoas foram processadas sob a lei nos últimos anos, sobre a qual o palácio geralmente não comenta.

“Propomos emendar o artigo 112 para garantir que essa lei não seja uma ferramenta política usada para abusar de outros, mas não seremos descuidados. Continuaremos a pressionar pela melhoria e correção dessa lei, que ainda é problemática.”, disse Natthaphong.

O People’s Party é a terceira encarnação do progressista Future Forward Party, que foi dissolvido por uma violação de financiamento de campanha em 2020, desencadeando protestos antigoverno em todo o país. O nome em inglês People’s Party foi comumente usado pelo Khana Ratsadon, que lançou uma revolução em 1932 que pôs fim à monarquia absoluta da Tailândia.

Titipol Phakdeewanich, professor de ciência política na Universidade de Ubon Ratchathani, disse que era claro que o novo partido estaria em rota de colisão com a velha elite da Tailândia, independentemente de perseguirem mudanças no artigo 112.

“O partido continuará a ser um espinho no lado do establishment, o que significa que eles encontrarão maneiras de derrubar o partido novamente. O establishment não vai parar”, disse Titipol.

Natthaphong Ruengpanyawut, membro do agora dissolvido partido de oposição Move Forward, observa antes de uma coletiva de imprensa para anunciar um novo partido político em Bangkok, Tailândia, em 9 de agosto de 2024. REUTERS/Chalinee Thirasupa
Senado bloqueou MFP de formar governo

A agenda disruptiva e liberal do Move Forward fez com que ele ganhasse inimigos poderosos, enfrentando interesses arraigados com planos que incluíam a reforma das Forças Armadas e o desmantelamento de monopólios empresariais no valor de bilhões de dólares.

A mais recente ação judicial é vista como parte de um esforço contínuo de forças conservadoras para manter o controle, com críticas sobre sua legalidade. 

O Senado, com poder de veto sobre a indicação de primeiro-ministro concedido pela constituição de 2017, rejeitou Pita Limjaroenrat como primeiro-ministro devido à sua intenção de reformar a lei de difamação real. Depois disso, o Move Forward foi removido da coalizão governista e se tornou o líder da oposição.

O partido argumentou que o Tribunal Constitucional não deveria ter jurisdição sobre o caso e que o processo não respeitou o devido procedimento, mas o tribunal manteve sua autoridade, reforçando a influência do establishment monarquista sobre a política tailandesa.


Escrito por João Pedro Gomes

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