Eu definitivamente sou uma pessoa suspeita pra falar de ‘Not Me‘, desde que esse BL foi lançado que ele não sai do meu top 5!
Tenho muitos motivos para elogiar essa produção, seja por ser um ponto fora da curva dos BLs que estavam sendo produzidos no tempo, seja pelas atuações impecáveis e pela entrega de todo o elenco, mas principalmente pela sua temática. ‘Not Me’ apresenta em seu universo ainda que de forma muito simplificada a luta de classes, e o papel das minorias nessa luta.

A ânsia pela mudança da sociedade Tailandesa leva os jovens desse grupo a iniciarem sua pequena revolução, cada um deles carregados de suas próprias motivações e bagagens.
Dentre essas motivações dois personagens se destacam: Sean, que teve o pai enganado por um empresário, assassinado por um policial e sua morte permaneceu impune; e Yok, que tem uma mãe com deficiência auditiva e por conta disso tem problemas em conseguir se manter empregada.


Ambos os personagens são pobres e carregam nas costas seus traumas como combustível para tentar mudar a realidade do coletivo.
Temos também White, um jovem de classe alta que é favorecido pela rede de contatos do seu pai, e que entra em choque com a realidade dos trabalhadores fora da sua bolha de convivência.
É muito prazeroso ver a transformação desse personagem no decorrer da série, e como ele toma a luta para si, mesmo não fazendo parte diretamente das classes mais afetadas.


Poderia ser mais uma história sobre vingança e satisfação individual, mas aqui mora o que torna esse BL tão incrível na minha opinião, os personagens idealizam uma solução coletiva, onde eles poderiam acordar a classe trabalhadora para lutar juntos contra todos esses problemas causados pelos burgueses e instituições que insistem em mantê-los impunes.
Nesse ponto a história toma uma complexidade bem maior, e não é mais só sobre esses jovens, mas sim sobre os ideais de sociedade que eles carregam que são coletivos.
Outro ponto muito forte é a retratação de manifestações populares tendo como pilar uma greve geral dos trabalhadores, com o apoio de outras classes, como as classes dos estudantes, artistas e comunidade LGBTQIAP+, abrindo um parêntese importantíssimo para a cena de desfile de casais pelo casamento igualitário e a mensagem importantíssima que essa cena traz, de amor livre e resistência da comunidade como mais um combustível revolucionário.
Lembrando que quando a série foi lançada a lei de casamento igualitário ainda não tinha avançado no senado Tailandês.
‘Not Me” foi precursora ao abordar abertamente todos esses temas, mas também por colocar protagonistas LGBTs como protagonistas do início das revoltas populares no universo da série, a existência da nossa comunidade já é revolucionária por si só, a revolução nunca vai vir dos que estão no status quo, mas sim dos que são marginalizados por eles.
Como diria Gram “Liberdade é o oxigênio para a alma” e não há liberdade sem a luta de classes e superação do sistema capitalista.
Fonte: Reprodução série Not Me (2021) disponível no canal da GMMTV no Youtube
Escrito por Nilton Vieira








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