Quantos artistas LGBTs da indústria BL são seus faves?
Essa é uma pergunta que todo fã de séries BL deveria se fazer, e esse é definitivamente um ponto a ser observado.
Não é nenhuma novidade que a indústria BL parece não se importar muito com representatividade, mas de uns tempos pra cá alguns artistas LGBTs começaram a surgir e se concretizar na indústria.
Quando falo de artistas da comunidade, não falo apenas dos artistas autodeclarados, como Earth Katsamonnat (de ‘Until We Meet Again’ e ‘My Only 12%’) ou Fluke Natouch (também de ‘Until We Meet Again’ e ‘609 Bedtime Story’) mas também dos que de alguma forma são disruptivos com a heterocisnormatividade, seja pela forma de se portar, de se vestir ou de se posicionar dentro da indústria, como Gun Atthaphan e PP Krit.

Recentemente tivemos uma vitória não esperada, o ator Nut Supanut fez uma majestosa entrada em um grande evento da sua empresa, um homem afeminado, de salto e que vai interpretar um protagonista gay e também afeminado em uma série BL.
Definitivamente não é algo que se vê todos os dias no mundo Boys Love, pois ainda muito se insiste em manter uma heteronormatividade nas performances dos atores.
É irônico pensar que a algum tempo atrás era praticamente impossível imaginar tal performance de um ator de BL, muito menos em um ator afeminado fazendo tamanho sucesso.

Se você, assim como eu, é um jurássico do mundo BL, já deve estar cansado de esbarrar em discussões sobre a prática do famigerado fanservice e de como alguns artistas ganham dinheiro e fazem sucesso agindo como um casal homoafetivo fora das telas.
Inúmeras vezes me perguntaram o que eu acho de fanservice, e bem, minha opinião pode ser um pouco controversa, pois acredito que essa não deveria ser a nossa preocupação no momento, mas sim gastar mais tempo e energia consumindo as produções de artistas LGBTs do que fazendo debates que não levam a lugar nenhum.
A linguagem da indústria é lucro, e infelizmente não é reivindicação de fãs no Twitter, podemos atestar isso com muitos casos polêmicos no mundo BL que não resultaram em uma mínima retratação.
Queria ressaltar que não incentivo nenhum tipo de especulação a sexualidade de nenhum artista, a questão não é essa, e sim como eles se portam, como eles lidam com a responsabilidade de dar vida a personagens LGBTs. Como a lenda da música Nina Simone disse certa vez que “É dever do artista refletir o seu tempo”.
Pudemos observar que estão havendo alguns avanços na Tailândia, como o Projeto de Lei de Casamento Igualitário, e eu acredito fortemente que há uma influência das produções BL nisso, pois essas produções já são consideradas um dos soft-power do país, com isso creio que também deve haver avanços sobre a discussão do papel das produtoras e dos artistas nisso.
O meu intuito com esse artigo é que fãs de BL apoiem mais artistas LGBTs e policiem seus faves, observe as falas e posicionamentos deles.
O que eles falam e fazem tem coerência com o trabalho que eles exercem? Eles são sensíveis o suficiente para sentir as dores reais dos seus personagens? Eles conseguem transformar a experiência de viver um personagem LGBT em empatia para com as pessoas reais da comunidade?
Afinal, no mundo real, nem sempre o fim de pessoas LGBTs é tão feliz quanto nas telas.
Escrito por Nilton Vieira








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