Envolto em mistérios e fantasia, ‘The Sign’ elabora seu prestigiado enredo

Estreando em novembro de 2023, ‘The Sign The Series’ foi ao ar trazendo um enredo profundo: o grande emaranhado de fantasia, mistério, investigação, suspense, ação e mitologia se entrelaçam de forma padrão, constituindo, em essência, uma obra capaz de ilustrar os encantamentos de origens budistas e hinduístas à luz do mundo tangível e misturá-los com ação e trabalho policial.

(IMAGEM 1: banner de The Sign, fonte: MyDramaList)

Com a atuação de Billy Patchanon (‘Secret Crush on You’, ‘War of Y’ e ‘GAP’) e Babe Tanatat (que faz sua estreia na atuação com essa obra), ‘The Sign’ pede que sigamos a história de Phaya e Tharn, colegas que trabalham duro para ingressarem em uma carreira junto às forças policiais. Durante todo esse treinamento, nossos protagonistas vislumbram cenas únicas relacionadas entre si, o que gira as engrenagens de seu romance; tudo isso enquanto embarcam na investigação de mistérios.

Se a série se resumisse a isso, ainda assim possuiria um alto valor narrativo, mas então, a obra confidencia ao telespectador que Phaya e Tharn são reencarnações de Garudas e Nagasdivindades sincréticas das crenças budistas e hinduístas. Evidencia-se que a conexão dos personagens é tão forte que, mesmo na infância, eles se sentiam atraídos um pelo outro, de maneira que Tharn se tornou uma espécie de protetor de Phaya.

(IMAGEM 2: Desenho de Naga e Garuda, fonte: Commons Wikimedia)

Agora, em um breve rastejo pelos credos do Sudeste Asiático e em um sobrevoo pelos campos da mitologia, faz-se necessário narrar a história por trás das deidades integrantes do conteúdo da série:

Na mitologia, Garuda é o chefe da raça das aves e inimigo da raça das serpentes. Um dia, a mãe de Garuda e a mãe dos Nagas fizeram uma aposta acerca da cor do cavalo divino que estava saindo do oceano: quem perdesse, se tornaria serva da vencedora. A mãe dos Nagas ganhou a aposta e a mãe de Garuda tornou-se sua prisioneira.

(IMAGEM 3: Escultura de Garuda lutando contra Nagas, fonte: Mahabharata – WordPress.com)

Para libertar a sua mãe, Garuda foi até os Nagas, que pediram que ele roubasse o elixir dos Deuses. Garuda encontrou a bebida, que estava guardada numa montanha. Para alcançá-la, foi necessário vencer um exército de deuses e dragões. Garuda conseguiu levar o elixir para os Nagas, que libertaram a sua mãe. Contudo, antes que os Nagas pudessem aproveitar o líquido, os deuses conseguiram recuperá-lo.

Se nas crenças originais Naga e Garuda são rivais, na série, vemos o oposto: já no primeiro episódio, Phaya e Tharn participam, ao lado de outros pretendentes, aos cargos de policiais de operações especiais, em uma missão onde devem resgatar um refém e desarmar bombas. No desenrolar de tudo isso, Tharn começa a citar suas visões acerca de Phaya. Com isso, fica explícito que Naga e Garuda podem ser inimigos, mas Phaya e Tharn surgem para quebrar esse ciclo.

A partir disso, um dos primeiros conflitos da série surge: o corpo de um tenente surge boiando na água: o parecer formal da morte? Aparentemente, suicídio. Todavia, Tharn possui algumas suspeitas, e passa a defender a hipótese de que foi um homicídio, indo em busca de maiores informações e evidências, enquanto desconfia de que forças alheias interferem em seu trabalho de investigação.

Dessa maneira, os personagens vão resolvendo casos – muitas vezes interligados – enquanto devem lidar com seus próprios sentimentos e questões do mundo sobrenatural, em uma perfeita valsa entre romantismo e mistério. A obra é criativa e inovadora, pois revela ao público algo diferente do mainstream usual, que ora apresenta conteúdos românticos com pouca ação, ora conteúdos de um terror medíocre e sem a mínima química entre os atores.

As múltiplas histórias dos personagens e os diversos temas da série foram perfeitamente equilibrados com a duração média dos episódios, de maneira que, no decorrer do conjunto da obra, não abriu-se margem para críticas como “furos no roteiro”. Portanto, as partes não transmitem a ideia de incompletude, já que tudo foi excelentemente abordado.

Também não se pode dizer que o conteúdo é enfadonho e cansativo. ‘The Sign’ consegue explorar as complexidades do amor simultaneamente à resolução de mistérios e o caráter sobrenatural.

À medida em que a série se desenvolve, todos os pontos vão convergindo perfeitamente, sem “fios soltos”, sem questões “em aberto”. Cenas com alta tensão romântica misturam-se a cenas de troca de tiros, morte, criaturas fantásticas e ambientes inóspitos de atmosfera enigmática.

No que tange ao caráter técnico da obra, o elenco está repleto de atores talentosos que interpretaram seus personagens de forma marcante. Até mesmo atores que não ocupam papéis principais e “atores de um episódio só” (convidados e participações especiais) recebem destaque na medida certa.

Um exemplo ilustre é a grandiosa performance de Nat Sakdatorn no papel de Art Parkin, no episódio 7, que recebeu atenção global e chegou até ao escritor brasileiro Paulo Coelho, devido ao personagem citar um trecho de sua obra.

Ainda neste tópico, tanto os fãs quanto os críticos elogiam a química entre os atores e as performances. Essa combinação permitiu que o programa, mesmo após seu encerramento, continue atraindo diversos públicos.

Ademais, o drama é imperdível para os fãs do gênero BL e para aqueles que gostam de uma boa mistura de romance, mistério e sobrenatural. Com seu enredo envolvente, elenco talentoso e mistura única de gêneros, esta série certamente deixará uma impressão duradoura nos espectadores e é a aposta de muitos para as premiações envolvendo séries asiáticas.


Escrito por Arthur Joedson da Silva

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