Estreando em novembro de 2023, ‘The Sign The Series’ foi ao ar trazendo um enredo profundo: o grande emaranhado de fantasia, mistério, investigação, suspense, ação e mitologia se entrelaçam de forma padrão, constituindo, em essência, uma obra capaz de ilustrar os encantamentos de origens budistas e hinduístas à luz do mundo tangível e misturá-los com ação e trabalho policial.
Com a atuação de Billy Patchanon (‘Secret Crush on You’, ‘War of Y’ e ‘GAP’) e Babe Tanatat (que faz sua estreia na atuação com essa obra), ‘The Sign’ pede que sigamos a história de Phaya e Tharn, colegas que trabalham duro para ingressarem em uma carreira junto às forças policiais. Durante todo esse treinamento, nossos protagonistas vislumbram cenas únicas relacionadas entre si, o que gira as engrenagens de seu romance; tudo isso enquanto embarcam na investigação de mistérios.
Se a série se resumisse a isso, ainda assim possuiria um alto valor narrativo, mas então, a obra confidencia ao telespectador que Phaya e Tharn são reencarnações de Garudas e Nagas – divindades sincréticas das crenças budistas e hinduístas. Evidencia-se que a conexão dos personagens é tão forte que, mesmo na infância, eles se sentiam atraídos um pelo outro, de maneira que Tharn se tornou uma espécie de protetor de Phaya.
Agora, em um breve rastejo pelos credos do Sudeste Asiático e em um sobrevoo pelos campos da mitologia, faz-se necessário narrar a história por trás das deidades integrantes do conteúdo da série:
Na mitologia, Garuda é o chefe da raça das aves e inimigo da raça das serpentes. Um dia, a mãe de Garuda e a mãe dos Nagas fizeram uma aposta acerca da cor do cavalo divino que estava saindo do oceano: quem perdesse, se tornaria serva da vencedora. A mãe dos Nagas ganhou a aposta e a mãe de Garuda tornou-se sua prisioneira.
Para libertar a sua mãe, Garuda foi até os Nagas, que pediram que ele roubasse o elixir dos Deuses. Garuda encontrou a bebida, que estava guardada numa montanha. Para alcançá-la, foi necessário vencer um exército de deuses e dragões. Garuda conseguiu levar o elixir para os Nagas, que libertaram a sua mãe. Contudo, antes que os Nagas pudessem aproveitar o líquido, os deuses conseguiram recuperá-lo.
Se nas crenças originais Naga e Garuda são rivais, na série, vemos o oposto: já no primeiro episódio, Phaya e Tharn participam, ao lado de outros pretendentes, aos cargos de policiais de operações especiais, em uma missão onde devem resgatar um refém e desarmar bombas. No desenrolar de tudo isso, Tharn começa a citar suas visões acerca de Phaya. Com isso, fica explícito que Naga e Garuda podem ser inimigos, mas Phaya e Tharn surgem para quebrar esse ciclo.
A partir disso, um dos primeiros conflitos da série surge: o corpo de um tenente surge boiando na água: o parecer formal da morte? Aparentemente, suicídio. Todavia, Tharn possui algumas suspeitas, e passa a defender a hipótese de que foi um homicídio, indo em busca de maiores informações e evidências, enquanto desconfia de que forças alheias interferem em seu trabalho de investigação.
Dessa maneira, os personagens vão resolvendo casos – muitas vezes interligados – enquanto devem lidar com seus próprios sentimentos e questões do mundo sobrenatural, em uma perfeita valsa entre romantismo e mistério. A obra é criativa e inovadora, pois revela ao público algo diferente do mainstream usual, que ora apresenta conteúdos românticos com pouca ação, ora conteúdos de um terror medíocre e sem a mínima química entre os atores.
As múltiplas histórias dos personagens e os diversos temas da série foram perfeitamente equilibrados com a duração média dos episódios, de maneira que, no decorrer do conjunto da obra, não abriu-se margem para críticas como “furos no roteiro”. Portanto, as partes não transmitem a ideia de incompletude, já que tudo foi excelentemente abordado.
Também não se pode dizer que o conteúdo é enfadonho e cansativo. ‘The Sign’ consegue explorar as complexidades do amor simultaneamente à resolução de mistérios e o caráter sobrenatural.
À medida em que a série se desenvolve, todos os pontos vão convergindo perfeitamente, sem “fios soltos”, sem questões “em aberto”. Cenas com alta tensão romântica misturam-se a cenas de troca de tiros, morte, criaturas fantásticas e ambientes inóspitos de atmosfera enigmática.
No que tange ao caráter técnico da obra, o elenco está repleto de atores talentosos que interpretaram seus personagens de forma marcante. Até mesmo atores que não ocupam papéis principais e “atores de um episódio só” (convidados e participações especiais) recebem destaque na medida certa.
Um exemplo ilustre é a grandiosa performance de Nat Sakdatorn no papel de Art Parkin, no episódio 7, que recebeu atenção global e chegou até ao escritor brasileiro Paulo Coelho, devido ao personagem citar um trecho de sua obra.
Ainda neste tópico, tanto os fãs quanto os críticos elogiam a química entre os atores e as performances. Essa combinação permitiu que o programa, mesmo após seu encerramento, continue atraindo diversos públicos.
Ademais, o drama é imperdível para os fãs do gênero BL e para aqueles que gostam de uma boa mistura de romance, mistério e sobrenatural. Com seu enredo envolvente, elenco talentoso e mistura única de gêneros, esta série certamente deixará uma impressão duradoura nos espectadores e é a aposta de muitos para as premiações envolvendo séries asiáticas.
Escrito por Arthur Joedson da Silva








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