Estreado na última sexta-feira (17), ‘Pit Babe‘ nos trouxe uma fotografia bela, cenas quentes, atores repletos de charme e, para muitos, um grande ponto de interrogação. Afinal, por que Babe é descrito como um “alfa especial”? De onde cargas d’água surgiu isso? E o que “alfa” quer dizer?

Para quem não está muito envolvido no universo das fanfics ou até mesmo dos romances eróticos sobrenaturais, as expressões Alfa, Beta, Ômega, podem parecer confusas. Elas remetem ao chamado Omegaverse, ou universo ômega (a expressão em português é raramente usada).
Nascido originalmente no fandom da série Supernatural, por volta de 2010, Omegaverse se trata de um subgênero onde seres humanos têm características semelhantes a lobos e sua estrutura de alcateia.
Apesar de sua primeira aparição oficial ter sido no meio das fanfictions (ficção criadas por fãs de seus livros, artistas ou séries favoritos, dentre outros), conceitos semelhantes aos apresentadas no Omegaverse apareceram em episódio de ‘Star Trek’ em 1967 e em 1969, no romance ‘The Left Hand of Darkness’, da autora Ursula K. Le Guin.
Originalmente focado em casais do mesmo sexo, principalmente compostos por dois homens, o gênero humano foi dividido em três principais denominações anteriormente mencionadas: Alfa, Beta e Ômega.
Alfas e Ômegas sendo humanos com sentidos mais aguçados, instintos mais animalescos, tendo o Alfa como o superior de toda a cadeia. Mais fortes e dominantes, os Alfas são considerados aqueles que estão no topo da sociedade, os líderes naturais.
Enquanto isso, os Ômegas são considerados os mais frágeis, mais submissos, tachados no papel de “dona de casa” ou “esposa perfeita” (pense aqui na tradicional esposa americana ou coreana, obediente aos maridos e que vive para cuidar da família).
Quanto aos Betas, os pobres Betas, são os seres humanos normais. Sem nenhuma característica especial, eles são as pessoas comuns, como nós, reles mortais. Ao longo da evolução do gênero Omegaverse, outras denominações foram criadas, como Delta, Gamma e Sigma, mas suas características são definidas pelos autores, de acordo com a necessidade do enredo.
Todas elas são chamadas de segundo gênero, sendo feminino/masculino considerado o gênero primário (por favor, comunidade LGBTQIA+, não matem a pobre staff que vos escreve, ela só está descrevendo o que se passa nesse universo ficcional).
Ômegas costumam parear apenas com Alfas, enquanto esses podem ter relações com Betas, uma vez que Ômegas costumam ser uma quantidade menor da sociedade. As relações Alfa/Beta não costumam ser comuns, por incompatibilidade física, mas podem ocorrer. Já relações Beta/Ômega são raríssimas, pela mesma razão.
Biologicamente falando, as diferenças são mais gritantes. Alfas e Ômegas são capazes de emitir feromônios que identificam o seu gênero e até mesmo emoções, além de servir para marcar território ou uma relação. No caso dos Alfas, esses feromônios podem ser emitidos propositalmente e ser usado para intimidar ou subjugar Betas e Ômegas, sendo estes especialmente mais afetados.
Dependendo da linhagem do Alfa, ele (ou ela, pois há, sim, Alfas mulheres, mesmo que raras) é capaz de subjugar até mesmo outros Alfas, que sejam considerados mais fracos. Para os Ômegas, os feromônios são geralmente usados para acalmar os Alfas, indicar suas emoções e quando o mesmo está no cio.
Sim, você leu certo. Cio ou heat é quando o Ômega entra em seu período fértil e, assim como animais, fica desesperado para ser fecundado e atrai Alfas com seu cheiro. Aqui as variações começam. Alguns autores costumam incluir um outro subgênero mpreg (male pregnancy ou gravidez masculina), onde o Ômega é capaz de engravidar de um Alfa.
Outros autores preferem deixar a gravidez masculina de fora, mas continuar com o cio do ômega (curiosidade aqui: talvez muitos não saibam, mas a novel de ‘Big Dragon’ tem uma menção a mpreg. O personagem de IsBanky passa por um susto onde acha que está grávido, mas depois é revelado que foi só um susto mesmo).
Os Alfas, por sua vez, têm o que é chamado de rut, sua própria versão do cio, onde sua mente é focada em sexo e em engravidar seu Ômega. Na composição biológica do Alfa, o mesmo pode ter o nó ou knot, que é uma glândula bulbosa localizada no membro sexual masculino e que, durante a ejaculação, incha e trava os dois parceiros juntos, de maneira a garantir a concepção.
Algumas outras características do Omegaverse são o vínculo (bonding), a reinvindicação (claiming) e a marca (marking). Geralmente, os três estão envolvidos ou significam a mesma coisa. Tradicionalmente, no pescoço dos Alfas e Ômegas, há uma glândula olfativa.
Durante a reivindicação, o Alfa morde o pescoço do Ômega exatamente no local dessa glândula, deixando uma marca permanente no local. Ao deixar essa marca, é geralmente criado um vínculo entre os dois, e o Ômega passa a pertencer ao seu Alfa. Há variações sobre o local onde a marca é deixada, desde o ombro até a parte interna da coxa, mas a mais conhecida é no pescoço.
Apesar de geralmente falarmos de Alfa e Ômegas apenas no masculino (isso porque a maior parte do universo se trata de relações homem/homem), há ficções com mulheres Alfa e Ômega. Para as mulheres Alfa, é comum que as mesmas sejam estéreis ou que tenham um pênis, assim como os Alfas do gênero masculino. Mulheres Ômega seguem os mesmos padrões dos homens Ômega.
Como vocês já devem ter percebido, o Omegaverse trás muitas características animalescas. Não só isso, mas geralmente retrata uma sociedade desigual, onde Ômegas são tratados como objetos e moeda de troca, além de reprodutores.
É um subgênero do romance erótico que puxa para o lado das fantasias mais sombrias, desde o sexo não consensual ou de consenso dúbio, até questões biologicamente impossíveis, como a gravidez masculina.
Atualmente, o Omegaverse homem/mulher vem ganhando seu espaço, mas ainda não é capaz de competir com a vastidão que é esse subgênero na literatura LGBTQIA+. Com a popularidade do gênero, romances mais leves vem sendo publicados, na forma de livros e fanfics.
Mas leitores, vale lembrar que, caso você decida se aventurar nesse tipo de literatura, é importante salientar que, em muitas das novels tailandesas, é comum ter cenas de sexo não consensual. Se você quer adentrar no Omegaverse, mas procura por algo mais leve, recomendo buscar por fanfictions, como Wattpad, Fanfiction.Net ou outras plataformas de fanfics, onde você terá acesso aos alertas de gatilho.
Essa quem vos fala é a May, fanfiqueira e leitora de plantão. Quer mais informações ou dicas de fanfics? Só gritar por mim lá no Insta @exhausreads, que eu adoro papear sobre o assunto.
Escrito por Mayara Cele








Compartilhe sua opinião!