‘Low Frequency’ é uma série sobrenatural que conta a história de Mon, um jovem decorador que tem a habilidade de ver fantasmas e que ajuda o espírito de Thames, um ator famoso, a investigar o acidente que o deixou em coma para que assim possa voltar ao seu corpo.
Protagonizado por Guitar Sarin Tangcharoenpaisarn como Mon e Ping Guntapat Kasemsan Na Ayudhya como Thames, a série é uma adaptação da novel ‘Frequency Of Love’ escrita por Dawin.
Com oito episódios com uma média de 50 minutos de duração cada, a série foi ao ar de 08 de Julho a 26 de Agosto de 2023 na plataforma iQIYI e teve o mesmo roteirista de ‘He is Coming to Me’, ‘Dark Blue Kiss’ e ‘Manner of Death’.
[A PARTIR DAQUI O TEXTO CONTÉM SPOILERS]
Uma sinopse promissora com uma execução desanimadora
E apesar da sinopse interessante, a série não consegue empolgar e mesmo com uma fotografia linda e alguns momentos fofos e legais, várias cenas e diálogos parecem soltos e perdidos na história, o que acaba por não prender muito a atenção e os episódios parecem bem mais longos de tanta enrolação…


Enquanto o primeiro episódio é bem interessante e te deixa com vontade de assisitir mais, também é muito corrido, mesmo com a personalidade extrovertida de Thames, ele e o Mon mal se conhecem e o ator já age como se fossem amigos de anos…
O que é um belo contraste dos outros sete episódios, que se arrastam com cenas repetidas ou flashbacks, diálogos demorados, misteriosos ou sem sentido. (Sério, todas frases tem pausas de segundos entre uma e outra, acho que se retirassem essas pausas, os episódios seriam uns 10 minutos mais curtos…)
A parte sobrenatural, que no primeiro episódio parece que será muito interessante, é subutilizada e embora tenha alguns momentos intrigantes, não são impactantes. Em uma cena que o Mon usa um fone de ouvido para não perceberem que ele está falando sozinho, mas nas outras, ele chega a conversar minutos com os espíritos no meio da rua e inclusive a encostar no Thames e ninguém acha estranho um cara falando sozinho e segurando o ar?
A transição de Thames para o reino espiritual poderia ter sido uma oportunidade para explorar emoções mais profundas e traumas causados tanto pelo acidente quanto por ter “acordado” fora de seu corpo, mas o ator age normalmente, nem parece que ele é um espírito que não sabe como voltar ao seu corpo, ou então algo o afeta de forma bem superficial que a pessoa assistindo não consegue se conectar à situação dramática vivida pelo personagem.

A história gira principalmente em torno da investigação do acidente de carro, que poderia ser feita de uma forma menos caricata e com mais profundidade, a mudança de foco nos personagens secundários que se mostram suspeitos em potencial em conversas enigmáticas parecem forçadas.
A “investigação” não é interessante, e só arrasta a narrativa de um lado para o outro sem um motivo real e com algumas conveniências de roteiro que beiram ao absurdo, e o final é tão anticlimático que você nem se importa com o desfecho.
O aspecto romântico da série também deixa a desejar. O relacionamento entre Mon e Thames não tem profundidade e nem química, a atração instantânea no primeiro episódio não convence e não se desenvolve no decorrer dos episódios.
Apesar de alguns momentos encantadores com as personalidades diferentes dos dois proporcionarem uns breves respiros, os flertes e troca de olhares em sua maioria parecem forçados e a conexão emocional entre os personagens é pouco convincente, o que resulta também numa fraca conexão entre o espectador e a série.
Personagens esquecíveis numa trama esquecível
Esse é o primeiro trabalho de Guitar Sarin, então dá pra relevar o pouco carisma que ele passa ao interpretar Mon, se não fosse o Ping Guntapat como Thames, acho que a série poderia até ser pior. Pra mim ele foi o único que conseguiu de certa forma combinar com a personalidade do personagem, ao fazer caras e bocas e ter um jeito mais extrovertido e atrevido, apesar do roteiro não colaborar…
Os demais personagens secundários são esquecíveis e só contribuem mais para a enrolação da história.
Bua, irma de Mon e agente de Thames, só serve para apresentar os dois, agir de forma suspeita escondendo o celular do Thames sem nenhum motivo aparente, para depois mostrar pra outro personagem quando é conveniente, salvar a avó de Thames e falar algumas frases de efeito pro irmão.
O espírito guardião da casa, fala de forma enigmática, mas não ajuda muito também, só no final quando é revelado o motivo dele ser o guardião, que é uma cena muito bonita mas que mesmo assim não nos conecta com os personagens.
Pete, trabalha junto de Mon, os diálogos dos dois é basicamente o Pete pedindo que o Mon compre comida pra ele, e nos episódios finais revela que sua família é da máfia (??) e ajuda Mon e Thames a capturar o culpado do acidente emprestando uns capangas que aparecem vestidos como ninja numa cena sem pé nem cabeça.
Mark, outro ator que se torna suspeito por ter uma rivalidade com o Thames por motivo que ninguém se importa, e que aparenta se interessar por Ai.
Ai, mais um ator, esse aqui poderia ter tido sua história explorada de uma forma muito melhor, já que é abusado pelo seu agente Thanit e parece ser o motivo real da trama do acidente, mas também é jogado pra lá e pra cá de qualquer jeito.
Thanit, o verdadeiro vilão da história, abusa de seus artistas, mas admito que não entendi como ele é o culpado pelo estado do Thames… E a cena final dele sendo “emboscado” pelos “capangas” do Pete, uma pataquada depois da outra, queria poder desver…
Uma conclusão decepcionante
‘Low Frequency’ é um BL que, infelizmente, não empolga nem prende a atenção com o passar dos episódios. A revelação do culpado não é surpreendente nem satisfatória, e o clímax é ridículo e sem sentido.
Mesmo as cenas fofas no final não conseguem empolgar, pois já passei os oito episódios sem criar conexão com os personagens pra me importar com que acontece com eles…
Quando vi que era do mesmo roteirista que ‘He is Coming to Me’ não acreditei, ambas tem quase a mesma premissa mas são executadas de formas tão diferentes que enquanto a série do Singto e do Ohm é maravilhosa, essa é no máximo passável…

Em resumo, tem seus momentos engraçados e fofos, mas que não compensa pela enrolação do roteiro, a série acaba se tornando bem chata, com um romance pouco convincente e uma exploração superficial de elementos sobrenaturais que diziam ser o centro da história. Dou uma nota 4 pela fotografia, pela OST e pelo Ping, mas só isso não é suficiente para salvar essa série de ser esquecível.
Foi difícil escrever essa resenha, viu? Mas que fique claro, que isso é uma opinão pessoal minha, e caso não tenha visto ainda, dê uma oportunidade, pois talvez você tenha outra experiência assistindo essa série.
E como falei que a OST era boa, dá uma conferida no MV:
Escrito por Lorena Telles








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